Apenas um olhar sobre Parada de Gonta. Uma visão da realidade de ontem, de hoje, de sempre. A Aldeia que foi musa do Poeta, dos Poetas, Tomás Ribeiro, Branca de Gonta Colaço, Rodrigo de Melo...e berço de muitos artistas!
Sábado, 14 de Outubro de 2006
(...5) Em Carnaxide!
CARNAXIDE!
Ali, em OEIRAS - cheirinho a Lisboa, olhando o Tejo com sabor a mar!

O nome de Tomás Ribeiro (e assim de Parada de Gonta) também está ligado ao Concelho de Oeiras pois passou períodos da sua vida na Feitoria, junto da Torre de S. Julião da Barra, e em Carnaxide.Aqui veraneou vários anos e adquiriu, em 1882, a «Casa Branca» de que tanto gostava. Na «Casa Branca» recebeu El-Rei D. Luís e importantes figuras do mundo intelectual e politico daquela época. Relacionada com a Sr.ª da Rocha, Linda-a-Pastora e Linda-a-Velha, deixou-nos o poeta, no campo literário o «Mensageiro de Fez», poema cuja complicada acção se inspira na nossa História e se desenvolve em torno da «Senhora Aparecida» numa gruta do Jamor. Esta obra foi editada um ano antes da morte de Tomás Ribeiro mas a primeira parte, «A Rocha», tinha sido publicada anteriormente.

Escreve Tomás Ribeiro acerca da sua obra:
«A Rocha é a nota principal deste poema, vive entre os meus grandes amores. Esta devoção que se esconde aqui no fundo desta concha florida e esmaltada, na sua ermida singela e cariciosa, com a sua fonte cristalina, a sua gruta misteriosa, o seu rio murmúrio e transparente, o seu jardim que ajudei a cultivar, onde tanta vez passeei, longe do bulício das multidões, conversando com o jardineiro e as flores, sondando os segredos daquele monte guardado pela imagem da Virgem Mãe, longe de olhos que me não espreitassem rindo, levo eu no coração.

Esta devoção é por demais conhecida. Até já me chamaram… por divertimento – o Tomás da Aparecida. (…)

A ROCHA (poema que integra o “Mensageiro de Fez”) ofereci-a em separado à Senhora que ajudei a transportar da casa onde se hospedara – a Sé de Lisboa, para a sua ermida de Carnaxide.
Vontade tive de consagrar aquele opúsculo às – Filhas de Maria – à tão simpática associação das Senhoras de Lisboa, que têm já consagrado muitas devotas peregrinações à Senhora da Rocha; porém o poema de que o excerto faz parte, poema cujas cenas se passam nos tempos d’Aviz, está já oferecido e consagrado à nossa excelsa Rainha, a Senhora D. Amélia d’Orleans, a quem pelo muito que Portugal lhe deve – e eu mais que ninguém – pertencem de juro e herdade as máximas homenagens.
Há outro nome que não devo deixar esquecido: o do Senhor D. Luís I. A ele em grande parte foi devida a restituição da veneranda imagem, por isso a Irmandade manda celebrar missa por sua alma no dia 19 de Outubro de cada ano, aniversário da sua morte».


Agora entremos no templo da Senhora (Santuário de N.ª Senhora da Conceição da Rocha)

santuario s.da rocha.jpg

Como este sítio é bom e esta paisagem bela

como é bonita a ermida

tão nova e tão singela

em honra dela erguida!

A casa de Maria – a nossa mãe divina!

………………………………………..

Junto à ermida a fonte ampla, abundosa,

límpida, cristalina;

em torno, o seu jardim tela divina,

cheia de tanta sombra e tanta rosa!

 

Dir-se-ia que ao nascer e ao pôr do sol,

nesta amena solidão deliciosa

em cada brando arbusto e em cada flor

descanta um rouxinol

canções à Virgem Mãe na sombra deleitosa.

 

Abraçando o jardim corre o Jamor,

o rumoroso rio,

colar de per’las finas, e brilhantes,

coro às aves, no brando murmúrio.

De montante uma ponte ampla e formosa

seus braços descansando em dura penha,

a solidão contempla e ouve os segredos

das aves e do rio. Do outro lado…

vê-se e ouve-se… - Ó Deus! Sítio encantado!

a faiscante cascata duma azenha

entre uma densa moita de arvoredos.

 

Paraíso terrestre

de perenal idílio!

Arva dultia – digníssimos do mestre!

– da avena dos pastores de Virgílio! –


- Bibliografia:
Antologia Poética – Organização, prefácio e notas de José Valle Figueiredo – Edição da CMTondela, Maio 2001



publicado por paradadegonta às 23:51
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7 comentários:
De Arte por um Canudo a 15 de Outubro de 2006 às 00:36
Excelente! Em vez do titulo "Na Rota do Poeta" chamar-lhe-ia "A Rota do Poeta". Descreves com toda a simplicidade e elevação os caminhos e os passos dados por Tomás Ribeiro.quem procura informação sobre o poeta, tem aqui neste espaço o que de melhor existe sobre ele. Força e parabéns por este excelente post.Um abraço.


De Lina a 15 de Outubro de 2006 às 00:51
Mais uma ligação, desta vez atravez de Tomaz Ribeiro.
Grd beijinho e b domingo*


De Andreia do Flautim a 15 de Outubro de 2006 às 12:40
Bonito poema:)

P.S. Por enquanto ainda não temos serviços marcados para a nova época, mas para tocar para os teus lados é fácil, basta que numa festa contactem a o nosso presidente!;)

Com algum tempo de antecedencia...


De alfazema a 15 de Outubro de 2006 às 15:55
E vale a pena conhecer Parada de Gonta, os seus posts que me deixam deliciada e o bonito poema que nos apresentou .
Um beijinho


De pestinha_girl a 16 de Outubro de 2006 às 19:20
Ola continuo a dizer k gosto muito de visitar este blog pois fala de sitos onde alguns nunca estive e nem seker conhecia de nome mas uma pergunta onde fica Parada de Gonta? beijinho e boa semana;)


De Azoriana a 17 de Outubro de 2006 às 01:43
Aqui está um blog sempre repleto de muito cultura e sobretudo amor à terra e às gentes que deixaram marcas de valor. Parada de Gonta será sempre um encanto para o meu olhar.
Um grande abraço e agradeço muito o teu lindo comentário que deixaste no meu blog.


De Jofre Alves a 20 de Outubro de 2006 às 13:12
Nesta sexta-feira ao som cadente da chuva que embala, visito as páginas que mais aprecio e cuja qualidade sempre me atrai: Parabéns e bom fim-de-semana, pois aqui descanso meus olhos no teu blogue. Só ficava a perder se não viesse espontaneamente visitá-lo, para mim um grande prazer


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