Apenas um olhar sobre Parada de Gonta. Uma visão da realidade de ontem, de hoje, de sempre. A Aldeia que foi musa do Poeta, dos Poetas, Tomás Ribeiro, Branca de Gonta Colaço, Rodrigo de Melo...e berço de muitos artistas!
Sábado, 23 de Abril de 2005
Ainda as Festas Populares de Santa Ana.Prova da sua longevidade!
Na sequência do artigo sobre Festas de Santa Ana, que publicámos, descobrimos entre os documentos que a minha mãe guardava dos meus avós, um cartaz de Santa Ana Padroeira de Parada de Gonta, comemorativo da sua Festa Religiosa. Também por cedência do Sr. Presidente da Junta de Freguesia, o que agradecemos, publicamos aqui um cartaz das Festas de Santa Ana do ano de 1927, o que traduz a longa vida destes famosos e conhecidos Festejos Populares.

Festa Santa Ana 1927.Cartaz cedido gentilmente pela J Freguesia pg.JPGSanta Ana Padroeira.cartaz anos 50.original do autor.JPG

arraial no terreiro.festa anos 80.JPGFoguetes no ar.festas de 1981.JPG

rainha das vindimas.jovem paradense imigrante nos EUA.festas de 1981.JPG



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Domingo, 17 de Abril de 2005
A convite de um Amigo...

A convite do Agostinho, do Arte por um canudo, entrámos nesta corrida. Até porque o percurso era curto e não exigia um grande esforço físico (é que os anos não perdoam…), embora não estejamos assim tão afastados da prática desportiva, como convém, para manter a forma! Um desafio de um amigo...cumpre-se!


Ex-Libris da Tugosfera.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser? </strong>Quem diz que eu não sairia?!
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção? .Sim. Fui agora tb apanhado pelo Agostinho, mas que me conste, este é bem real…
Qual foi o último livro que compraste?A verdade é que foram vários: os manuais escolares dos descendentes!!!
Que livros estás a ler? Acabei de ler… pela ? vez, os “Sons que Passam” de Thomaz Ribeiro. Leiam…Faz bem!!!
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta? Para além de uma(s) boa(s) companhias e outras inspirações…talvez “5 livros em branco”; quem sabe não os escreveria todos!!!!
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Em primeiro lugar ao FIGUINHAS - FERNANDO , porque tem muito para dar e só vai dando ali para os lados de santacomba e … como ainda não tem blog, esta é uma boa oportunidade de criar ou então aluga o do Grupo do tacho (pode pagar o mesmo que pagou o ZC. Cá por mim acho que já é um bom cachet…</strong>

Depois passaria ao JAIME porque, pelas mesmas razões do anterior, anda do outro lado do monte – ali para Viseu, tão perdidinho por elas (presume-se!!!) que até se esquece dos tachos. Uma boa oportunidade de voltar ao seio da malta… e como também não tem blog, já vai sendo tempo de se virar para o lado de cá…ou então…mais um cachet ao GT!</strong>

Finalmente e porque o seu circulo de bloguistas é enorme (também não podemos andar aqui a vender o espaço do GT a toda à gente e à descarada, senão o fisco cai-nos em cima!!!), vou devolver o testemunho ao AGOSTINHO , já que as regras não proíbem que se recorra aos melhores, mesmo que já tenham entrado na corrida, e nestas coisas o Ag. bate qualquer record!!!
Aí vai Ag. Agarra bem e continua a correr que é o que está a dar…


publicado por paradadegonta às 02:41
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Terça-feira, 12 de Abril de 2005
...

ipg1.jpg

A torre da Igreja e o adro, entrelaçados,
O terreiro, a capela, as quatro esquinas,
A serra e o Castro, os 3 Rios e as minas,
O castelo ao Céu erguido, solares brasonados.

As danças e cantares de outrora, tão presentes,
Poetas, pintores, artistas, alfobre de sementes!



Gente laboriosa, dos cantares ao desafio
Nas noites de Inverno, no suor do verão,
Festas e romarias agradecendo o pão,
Os moinhos, os peixes do rio.

A missa ao domingo na fé dos crentes,
Solidários, alegres, nobres… Paradenses!



Terra de águas transparentes
Que brotam nas fontes e ribeiros,
Árvores acolhedoras, sombreiros,
Rios buliçosos e envolventes.

Paisagem serena e deslumbrante,
Flor de jardim sempre odorante!




Mimosas que correm
Caminhos e montes,
Giestas enfeitadas, Páscoa florida,
Cavando a terra semeando a vida!

CA. Parada de Gonta. Abril.05


publicado por paradadegonta às 23:58
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Sábado, 2 de Abril de 2005
Santa Ana.Festas Populares de Parada de Gonta!

Santa Ana!


Festas Populares de Parada de Gonta. Retrato de outros tempos!


terreiro.jpg


As Festas populares da Freguesia, ocorrem no 1.º fim-de-semana de Agosto. Têm já longa vida e, concerteza, uma grande história. Foram, ao longo de muitos anos, uma importante referência no mapa das festas populares da região (ainda hoje isso acontece, embora sem o brilho e a intensidade de outrora). Há umas décadas concorria mesmo, com as afamadas "Festas da Mata" de Tondela, organizadas pelos Bombeiros Voluntários, disputando muitas vezes a mesma data de realização, sem contudo sofrer qualquer revés na presença de público, sempre em grande número.


Temos ainda presente, dos tempos da nossa meninice, retratos de grandes momentos de verdadeira e envolvente festa popular. Grandiosos arraiais beirões que inundavam de cor e alegria toda a Aldeia e quantos a visitavam nesses dias.


A Fé religiosa era enaltecida no convívio salutar entre a envolvência pagã e a entrega ao mais profundo respeito e puro sentimento cristão. Em Parada de Gonta sempre se soube viver e conviver na mais genuína e salutar relação.


Numa imagem que nos leva a tempos mais remotos, trazemos aqui um artigo de A. Martinho que traduz a longevidade destes festejos e o fulgor que então acalentava esse fim-de-semana de Agosto escaldante.


 grupo musical.santa ana.jpgDesmontagem.festa santa ana.jpg  


«Ocorreu no primeiro domingo de Agosto, a que foi outrora uma das mais luzidias e concorridas romarias da Beira, a padroeira da aldeia – "Nossa Senhora Santana”.


Normalmente abrilhantada por três filarmónicas, durante três dias de festa rija, que arrastam a Parada de Gonta milhares de romeiros de terras longínquas, levados pela reputação de que gozavam os festejos da mais castiça das Terras beiroas. Eles traziam consigo o desejo incontido de observarem e intervirem, especialmente nos bailaricos que num rodopio estonteante os fazia folgar, cantar, bailar, entoando as velhas canções dos nossos avós, e dançar quer ao som dos característicos ferrinhos e viola, quer ainda aos acordes das filarmónicas, ou nos joguinhos de roda, em que os rapazes e raparigas desse tempo eram executantes exímios, cantando e bailando com brilho e saber, o que aprenderam dos seus maiores, que era afinal o que havia de mais puro em folclore regional a que davam execução e que nos maravilhava. Que saudades desse tempo em que centenas de pares, numa sincronia perfeita, dançavam com especial realce, os números que foram feitos para eles, com letra e música de gente da nossa Terra!


Tudo bailava; velhos e novos, sem discriminação social de classes, à sombra do secular castanheiro (que já não existe), no largo e campeiro Terreiro, que de grande era minúsculo para comportar tanta gente. Assistia-se à exibição faustosa dos fatos novos que nesses dias eram exibidos pelos pares de namorados que de mãos dadas, como que envergonhados, lá se encaminhavam de face cavada, para o bailarico.


Que bons e bonitos tempos eram esses d'então!


 igreja interior.jpgimagem de santa ana. padroeira.jpg


Havia na aldeia de então, famílias que ali vinham passar férias, como a família do prosador e poeta Thomaz Ribeiro Colaço (neto de Thomaz Ribeiro) e filho da mimosa poetisa Branca de Gonta, que trazia consigo pessoas amigas, artistas ou intelectuais, como Virgínia Vitorino, Maria Archer, Amélia Rey Colaço sua prima e a grande artista que todos conhecem, Ana Paula e a voz de oiro da canção desse tempo, Corina Freire.


A familia Thomaz Ribeiro de Melo, diplomata, e seu filho Rodrigo de Melo, poeta que a morte ceifou impiedosamente tão cedo, no princípio da sua vida intelectual. A família Moura Coutinho e tantos outros que o tempo apagou da memória. Estas famílias e pessoas amigas, socia1mente diferentes, porque dotados de posição e cultura diferentes, formavam no bailarico a ala dos namorados, vestindo as senhoras fatos precisamente iguais ao das raparigas, distinguindo-as apenas aqueles pormenores que distinguem uma senhora duma lavradeira, vestida com os mesmos trajes. Dançava-se e, curioso, não havia entre centenas de pessoas, problemas que obrigassem a reacções menos corteses.


Quase esquecia de salientar a procissão!

Formada por vários andores que a proficiência do senhor Paulino, davam à composição dos mesmos, uma simplicidade e uma graça, que todos admiravam.


A chanfana, é possível que seja desconhecida de muita gente, mas era realmente um prato excelente. Cozinhado no forno de pão.

O que é afinal a chanfana? Nada mais, nada menos, que para muitos a ovelha, para outros o cordeiro, que com batatas miúdas, arroz e um molho especial, era uma maravilha. Não sei se hoje ainda se faz em Parada esse prato; tudo modificou desde essa época, desde que foi separada a festa religiosa da festa pagã, ou melhor, a festa de Sant’Ana morreu com a intolerância das autoridades religiosas de então.


A festa terminava com umas canções de Corina Freire, de que apenas recordo uma, por sinal lindíssima: “Camélias”.».

Voz das Beiras de 30-8-79



publicado por paradadegonta às 14:51
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