Apenas um olhar sobre Parada de Gonta. Uma visão da realidade de ontem, de hoje, de sempre. A Aldeia que foi musa do Poeta, dos Poetas, Tomás Ribeiro, Branca de Gonta Colaço, Rodrigo de Melo...e berço de muitos artistas!
Domingo, 13 de Março de 2005
CASTRO DOS 3 RIOS. PATRIMÓNIO HISTORICO!

castro3rios. escavacoes.jpg

O Castro dos Três Rios situa-se numa área serrana envolvida pelos rios Pavia, Asnes e Ribeira de Sasse, num local a NE da Aldeia, chamado de “três rios”, porque ali perto se unem, precisamente, os três rios atrás referidos. Trata-se de um espólio que restou de povoações proto-históricas, muralhadas e normalmente situadas junto das linhas de água. Abandonado ao longo de muitos séculos e procurado por curiosos que dali levaram vários achados, foi objecto da atenção dos especialistas, através da iniciativa de uma Colectividade local. O resultado das escavações efectuadas tem sido positivo, dado que já foram encontradas várias habitações e diversos objectos: - casas redondas e rectangulares, vários fragmentos de cerâmica e de objectos de bronze, moedas romanas, mós manuais, etc. 

castro3rios.inscricao.jpg

Há também duas inscrições em granito, datadas do século I. L- MANLIVS D- F- TR- AEMILIA ALMVS PEINTICIS, uma outra CIRO TIVSCI TVREIVS. A primeira inscrição tem a seguinte tradução: “aos deuses Peinticis, Lúcio Manlio, filho de Décio (ou Décimo), da tribo Emília, cumpriu de bom grado o seu voto”. A segunda “Ciro, filho de Tiusci, Tureio”. Tratam-se de inscrições de elevada importância no contexto da epigrafia regional.

 Abreviando-se o prenome LUCIUS em L, é esta uma característica de outras inscrições romanas. O nome da família, MANLIUS surge, igualmente, noutras inscrições da Península. O que capta a atenção é a indicação do nome da tribo EMILIA. Não sendo vulgar encontrar, pensa-se que Lucius Manlius terá sido um indígena romanizado colocando o nome da tribo como motivo de orgulho. PEINTICIS era nome de divindade indígena a quem se consagravam. Nesta epígrafe há uma mistura entre o mundo romano e o mundo indígena. O romano está presente na onomástica e na fórmula de adoração, enquanto que o indígena está presente no teónimo. A segunda inscrição tendo apenas nomes, terá a ver com o cumprimento de uma promessa por intermédio de outra pessoa. Tureius cumpriu um voto feito por Cirus, filho de Tiusci. A primeira palavra lê-se Ciro, sendo este o ablativo de Cirus e, lendo-se desta maneira, tem-se uma leitura diferente de outros autores, nomeadamente de José Coelho, que leu Génio e de J. Unterman que leu Ceio.

Ambas as inscrições apresentam nome dos ofertantes em nominativo, levando a crer que se trate de uma época bastante alta, século I ou II da era de Cristo. Este Castro parece ser um caso de uma povoação que foi ocupada em três épocas sucessivas – Idade do Ferro, Época Romana e Idade Média, uma vez que foi encontrada uma sepultura escavada na rocha, característica da Idade Média.

castro3rios.resto de muralha.jpgcastro3rios. habitacoes.jpg

As escavações foram realizadas num terreno baldio da Junta de Freguesia de Parada de Gonta. O Grupo Cultural e Recreativo “Os Amigos de Parada de Gonta, tem orientado localmente as escavações que foram coordenadas por arqueólogos de Viseu, nomeadamente pelo Doutor João Inês Vaz. A Junta de Freguesia também apoiou a iniciativa bem como a própria Câmara Municipal de Tondela. Parte dos achados estão na posse da referida Associação (alguns expostos na sua sede – Largo da Fonte Velha) e do próprio arqueólogo.          O IPPAR – Instituto Português do Património Arqueológico, foi informado dos trabalhos e teve já alguns dos achados expostos nas suas instalações em Lisboa, o que demonstra a importância dos mesmos. É uma pena que nos últimos anos, não se tenham continuado os trabalhos de exploração técnica daquele monumento histórico.

Coelho, J–A inscrição latina da pedra escrita do castro dos três rios, O Instituto, v100, Coimbra, 1942, pp.576, 580. 
Encarnação, J.–Divindades indígenas sob o domínio romano em Portugal, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa 1975.
Vaz, J.I. – Roteiro arqueológico de Viseu, 1987, pp.23, 25 .
Revista Beira Alta, edição da Junta Distrital de Viseu, ano XXVI, n.º3, 1967



publicado por paradadegonta às 20:13
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3 comentários:
De Anónimo a 21 de Março de 2005 às 00:00
Fantástico!Essa terra tem história.Agora compreendo porque a um domingo muita gente se disponibilizou para conhecer as suas origens.ParabénsPedro Sá
</a>
(mailto:sss@hotmail.com)


De Anónimo a 20 de Março de 2005 às 02:01
Fantastico, gostei bastante deste artigo. Interesa-me muito tudo o que é "antepassado" - Gostei. Obrigada pela info. Bom Domingo e beijinho*lina
(http://acordomar.blogs.sapo.pt)
(mailto:linahopes@msn.com)


De Anónimo a 14 de Março de 2005 às 00:06
Para quem gosta de história e principalmente da cultura castreja, tem aqui um óptimo local para estudo e que merece mais atenção das instituições de preservação destes locais históricos.A descrição é excelente e revela que estás dentro do assunto Carlos.Um abraço.Agostinho
(http://evtagostinho.blogs.sapo.pt)
(mailto:ag_silva@hotmail.com)


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